Pela Liberdade! Sem Medo!

15 de Janeiro, 2015

Os extremistas têm-se aproveitado da liberdade que propiciamos e dos nossos valores para, através do terror, impor a sua visão única, o seu modo de viver e pensar. Em nome de uma interpretação abusiva e extrema da sua “religião”, matam de forma covarde.

Em França, na semana passada, terroristas mataram dezassete pessoas, nomeadamente os membros da redacção do Charlie Hebdo, polícias e reféns num supermercado judaico.

O caso do ataque, à redacção do Charlie Hebdo, reivindicado pela Al-Qaeda na Península Arábica, foi também um ataque à liberdade de imprensa. Um dirigente da organização terrorista afirma que a operação foi destinada a vingar o profeta Maomé e foi ordenada por Ayman al-Zawahiri, que sucedeu a Osama bin Laden na liderança da rede terrorista. A ser verdade, a Al-Qaeda continua por aí.

 Confesso que não aprecio aquele tipo de cartoons. Mas tal não impede a mais veemente condenação do ataque. A argumentação de que os cartoons são exagerados, e de que no fundo as vítimas se colocaram a jeito, é inaceitável! Na argumentação de alguns, felizmente poucos, quase se chegou ao ponto de tornar as vítimas em culpadas e os culpados em vítimas! As vítimas foram cristãos, judeus e muçulmanos, o que prova o multiculturalismo existente em França.

Os franceses estão em estado de choque. Mas responderam bem. Vieram aos milhões para a rua, numa demonstração de que não têm medo e de que não vão ceder. Foi um verdadeiro tsunami popular. Nas primeiras filas da manifestação tivemos, para além dos líderes europeus, o presidente da Autoridade Palestiniana e o líder israelita Benjamin Netanyahu.

 Os franceses reafirmaram o combate ao terrorismo, sem que tal signifique o sacrifício das liberdades individuais. A extrema-direita francesa procurou logo tirar dividendos políticos, defendendo a pena de morte e o encerramento das fronteiras. Também tivemos gente da esquerda portuguesa, mas que tem comportamento também ele extremista, a afirmar que os atentados eram o resultado da austeridade!

Perante os atentados, há sempre a tentação de legislar a quente e defender soluções aparentes. Uns apressam-se a defender as fronteiras internas. A liberdade de circulação é um ganho que temos. Para além disso, cada Estado-Membro, sempre que o entenda e sem qualquer autorização, pode fazer o controlo das suas fronteiras internas. Esquecem-se que, no caso concreto, os criminosos eram cidadãos franceses! Outros defendem um ainda maior controlo sobre todos os nossos dados.

Espero que as soluções não signifiquem mais restrições à nossa liberdade. Se tal acontecer, os terroristas já estão a ganhar. É evidente que a prevenção deverá ser maior, a partilha de informação entre as forças policiais e os serviços secretos deve ser intensificada, as fronteiras externas devem ser melhoradas.

A proximidade que temos em relação a ataques deste tipo altera a forma, a percepção e a visão que temos deles. Convivo diariamente com franceses e sinto e vivo o sofrimento deles. Os mesmos acontecimentos em Portugal ter-nos-iam abalado de forma ainda mais intensa.

 Mas a proximidade não pode justificar o alheamento que temos em relação a ataques deste tipo, ainda mais graves, com mais vítimas humanas e que se repetem amiudamente. Porque é longe, porque vivem em ditaduras, porque são de outro continente, assobiamos para o ar e fazemos de conta que não é connosco.

A globalização é um desafio que se coloca em todos os planos!

Os sinais de violência extrema por parte de radicais religiosos têm vindo a aumentar de forma assustadora e com a conivência de alguns Estados. O auto denominado Estado Islâmico, que não é Estado nem é islâmico como bem me recordou o embaixador da Argélia em Bruxelas, tem cometido crimes absolutamente bárbaros.

As mortes de mulheres, homens e crianças têm sido aos milhares. As vítimas de tortura e violação são diárias.

O combate ao terrorismo exige uma resposta à escala mundial. É evidente que cada um tem de cumprir com a sua obrigação. A UE - estou certo - fará a sua parte. Pela liberdade! Sem medo!

 

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Gosto

 

Cristiano Ronaldo venceu pela 3ª vez a bola de ouro. Ronaldo significa talento aliado a muito trabalho. Tem muito mérito. Mostra que somos capazes e enche-nos de orgulho. Não esquece as suas raízes: agradece em português, aos portugueses e à família.

 

 

Não Gosto

 

Em França, na semana passada, terroristas mataram dezassete pessoas, os membros da redacção do Charlie Hebdo, polícias e reféns num supermercado judaico.