Mobilidade social: um desígnio nacional

21 de Junho, 2018

 

Sou um defensor da mobilidade social, ou seja, da inclusão e da igualdade de oportunidades. Mas não se pode pretender que todos sejam iguais e que, para isso, se procure um mínimo a que todos se reduzam. Não aceito um nivelamento por baixo! Não quero que os ricos fiquem mais pobres. Quero é que os pobres fiquem mais ricos. Defendo que, independentemente da família e do sítio onde se nasça, o Estado tem de garantir a possibilidade de ascensão social. Para isso, é necessário uma cultura de exigência, confiança, mérito, rigor e ambição. Já não há empregos para a vida, o mundo é altamente competitivo e as mudanças tecnológicas são brutais. Para conseguirmos enfrentar todas estas mudanças, precisamos de uma verdadeira aposta no conhecimento e de uma “mentalidade à Cristiano Ronaldo”: Sim, nós somos capazes!

A esquerda radical detesta palavras como mérito, rigor e, até, empreendedorismo, porque considera que alguns não são capazes de lá chegar! Que atitude paternalista... O empreendedorismo é um sinal de liberdade e muitas vezes de superação, e não pode haver valor mais alto que a liberdade. 

A educação, a começar no pré-escolar, é essencial. O ensino público é fundamental. O que não significa que se deve excluir, como alguns pretendem, o privado. Estamos fartos de ouvir o slogan da “paixão pela educação”, sem que se procure, de facto, o melhor sistema educativo. A verdade é que sem estabilidade não há o devido sucesso, e os alunos são os principais prejudicados. 

Felizmente, temos – regra geral – excelentes professores. Mal pagos, muitas vezes usados pelos partidos e sindicatos e injustiçados na carreira, ainda garantem qualidade ao ensino. Mas há demasiadas falsas frases feitas à volta dos professores. Diz-se que ascendem automaticamente na carreira, o que não é verdade. Os professores são avaliados, têm de realizar formações e há quotas para a progressão! Os professores são a base do nosso ensino e devem ser respeitados. 

A reposição do tempo de serviço na íntegra é justa e foi prometida. Mas, de repente, António Costa mudou a narrativa e já tem frases como: “Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebe?” 

Admito que o tempo de serviço não possa ser todo contado de imediato, mas terá de contar! A solução terá de ser negociada, numa verdadeira negociação com os professores e não com ultimatos. Deveria ser “diluída” ao longo do tempo. 

Os professores trabalham para além da burocracia, do sumariar e do cumprimento de todas as formalidades. Trabalham com os alunos nos projetos “extra curriculum”, na partilha e ensino de valores, substituindo muitas vezes os próprios encarregados de educação. 

Há menos alunos e há novos conteúdos e, para acompanhar estas mudanças, o sistema educativo precisa de uma modernização. Para isso, é preciso envolver toda a comunidade escolar. Temos de exigir previsibilidade e modernização na educação.

Afinal, a austeridade não acabou. A diminuição da qualidade dos serviços públicos é a prova e os mais prejudicados são as famílias mais pobres.

Os recentes dados da OCDE relativamente à mobilidade social em Portugal mostram que estamos a falhar. Temos feito progressos no combate ao abandono escolar e na melhoria das qualificações, mas são insuficientes. Temos muito a melhorar e não é tudo por falta de recursos financeiros. O Fundo Social Europeu forneceu muitos milhares de milhões de euros a Portugal sem que se atingisse os resultados desejáveis.

Há muitas áreas em que é possível melhorar. A formação profissional, por exemplo, tem de ter em conta a empregabilidade e o interesse do formando, em vez do interesse da empresa de formação. O risco moral tem de ser evitado. Não pode ser mais vantajoso ficar em casa do que ir trabalhar. Não podemos aceitar que se ganhe mais não se fazendo nada!

A igualdade de oportunidades é uma obrigação. Não basta legislar e ter uma “bela” Constituição. É necessária uma mentalidade e uma cultura, simultaneamente, de exigência e de inclusão. Não é aceitável que as hipóteses de um jovem ter uma carreira de sucesso sejam dependentes das suas origens socioeconómicas e do capital humano dos seus pais. Não é aceitável – é escandaloso – que sejam necessárias até cinco gerações para que as crianças nascidas numa família pobre consigam atingir rendimentos médios. A mobilidade social, já aqui o escrevi várias vezes, tem de ser um desígnio nacional.

 

GOSTO

  • Cristiano Ronaldo - A idade parece não lhe pesar. A sua qualidade tem muito de inato e muitíssimo de trabalho. É um exemplo de superação. Não poderá carregar sozinho a selecção, mas a sua postura transmite garra, ambição e vontade de vencer a todos os companheiros de seleção. Acumula recordes, avança indiferente à inveja, é um conquistador.
  • Portugal tem águas balneares de qualidade superior à média europeia, segundo o relatório anual “Qualidade das Águas Balneares na Europa”, realizado pela Agência Europeia do Ambiente. As amostras colhidas em Portugal confirmam 603 estâncias com água de qualidade balnear no país. Os dados foram avaliados em 2017 e, por isso, indicam os melhores locais de águas balneares para este ano. Portugal é o 10º país onde as estâncias balneares têm águas de melhor qualidade, com um resultado acima da média europeia.

NÃO GOSTO

  • A UE corre sérios riscos de se desintegrar, se não atuar coletivamente na resolução das migrações e da proteção das fronteiras. Hoje, ser desumano e não acolher na Itália um navio com pessoas que foram resgatadas no Mar, muitas delas com problemas de saúde, dá votos!  A UE, face a Trump e Putin, precisava de estar unida e de ter uma Angela Merkel com força. Infelizmente, a extrema-direita na Alemanha tem cada vez mais força.
  • Na sua senda nacionalista, Trump iniciou uma guerra comercial de consequências imprevisíveis. Há que exigir reciprocidade, mas o protecionismo não é solução. Acresce a falta de entendimento entre os líderes mundiais do G7 e a atitude arrogante de Trump que concordou com um texto de acordo para, de seguida, e através do Twitter, o rasgar!

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