Desenvolvimento - Vamos conseguir!

19 de Dezembro, 2019


 

A cultura de imediatismo chegou à política. Ao espaço político e ao espaço público. Não falta quem acene com novas prioridades para fazer vingar velhas ideologias. Há quem ponha a economia a crescer através da diminuição dos direitos sociais e da remoção de legislação ambiental. A eleição de líderes nacionalistas, egoístas e isolacionistas começa a ser uma constante que favorece quem pensa mais nas eleições do que nos eleitores e nas gerações futuras.

Este imediatismo prejudica o desenvolvimento. Não há desenvolvimento sem sustentabilidade, solidariedade e inclusão. Não haverá desenvolvimento sem partilha. E só somos solidários se deixarmos às gerações futuras um planeta onde se possa viver com qualidade, bem-estar. Perante os desafios do século XXI, temos de atuar com uma estratégia comum e articulada. 

O desafio mais evidente é o das alterações climáticas. Vencê-lo implica um compromisso à escala global, em que cada um tem de fazer a sua parte, de acordo com objetivosambiciosos que sejam possíveis de alcançar. O combate às alterações climáticas terá consequências, nomeadamente, na agricultura, na indústria, na floresta, nas empresas e na habitação. Alguns postos de trabalho serão criados, outros serão perdidos, muitos serão transformados. A economia circular, em que nada se perde e o desperdício dá lugar à reutilização, será uma realidade: no limite - muito no limite -, os meios de transporte poderão vir a limpar o ar em vez de o poluírem. A União da Energia, que visa quebrar barreiras e aumentar a interconectividade, terá de acompanhar o avanço da Agenda Digital. 

Este desafio afigura-se uma oportunidade. Por isso, é essencial apostar no desenvolvimento de competências, no conhecimento, na investigação e inovação. Acresce que nenhum cidadão, nenhuma região pode ficar para trás.

Os objetivos climáticos não podem ser atingidos sem um consenso mínimo na comunidade internacional. Desse ponto de vista, os resultados da COP 25 foram francamente desanimadores. Mas a União Europeia não pode ficar à espera dos Estados Unidos, da China ou da Índia. Todos sabemos que estes são os maiores responsáveis pelas emissões e que são essenciais para mitigarmos os efeitos das alterações climáticas. Mas não podemos ficar à espera deles! Temos de ser o exemplo. 

Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, apresentou o Pacto Ecológico Europeu. O chamado Green New Deal não se fica por questões ambientais ‘tout court’. Aspira a uma mudança do paradigma económico e social. O Pacto Ecológico aponta à neutralidade carbónica, sem descurar a competitividade.

Em Portugal, esta transição terá de aliar reformismo, sensatez, justiça e coesão social e territorial. 

O Governo já deveria estar a preparar nova legislação ambiental, empresarial, de transportes e a desenhar o novo modelo de crescimento. Espero que o Governo não caia na tentação de, à boleia das alterações climáticas, procurar impor mais impostos com um único objetivo: arrecadar mais receita para despesas correntes.

A nossa mobilidade está muito aquém dos nossos congéneres europeus. Há problemas, deficiências e condicionantes que temos de superar. Os nossos transportes públicos sofrem de falta de eficiência e capacidade de resposta, nas áreas urbanas - incluindo Lisboa e Porto - e sobretudo nas ligações ao resto do país, também muito por culpa do corte de investimento público nos últimos anos. No nosso território, torna-se quase obrigatório usar o carro “individual” como transporte...

Temos de nos preparar e de responder às perguntas certas. Cada um tem de fazer a sua parte. Também nós, em Portugal e na nossa região, temos de partilhar. Por exemplo: o que fazer para melhorar a mobilidade em Portugal e na nossa região? É possível a construção de uma rede de metro que ligue Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos? Podemos olhar para uma solução para a recolha e o tratamento “moderno” dos resíduos sólidos que seja comum? É possível interligar e melhorar a eficiência nos sistemas de fornecimento de água?

Ao investimento público deve somar-se um pacto entre a sociedade civil, o tecido empresarial e académico. Temos excelentes autarcas, empresários de enorme qualidade, instituições de ensino superior muito competentes. Se agirmos em conjunto, vamos conseguir!

 

GOSTO

  • A Câmara Municipal de Vila Verde e a Associação para a Defesa dos Animais e Ambiente lançaram um calendário solidário, com a participação de filhos dos funcionários e cães sem dono. A iniciativa sensibiliza a população para a problemática do abandono dos animais, incentiva famílias para a adoção responsável de cães abandonados e angaria receitas para ajudar as famílias mais carenciadas.

 

NÃO GOSTO

  • O governo entregou a proposta de Orçamento do Estado para 2020 que volta a agravar a carga fiscal. Com uma opção evidente de contínuo aumento de despesas correntes – a um nível que obriga ao corte ‘cego’ e brutal do investimento público –, o PS e António Costa já tinham conseguido atingir a maior carga fiscal de que há memória em Portugal. Nem mesmo o objetivo do ‘superavit’ orçamental torna aceitável que se obrigue os portugueses a pagar ainda mais impostos.

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