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PRR: “Gastar não é investir!”

“Gastar dinheiro não é investir!”. Foi com estas palavras sobre a execução do PRR, que o eurodeputado José Manuel Fernandes encerrou ontem à tarde, 26 de maio, em Viana do Castelo, a conferência “O Estado da Arte – O Minho no Portugal de Amanhã”, presidida por Marcelo Rebelo de Sousa. O evento assinalou o 2º aniversário da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) e contou com as participações, além do Presidente da República, da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa; do Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre; do Presidente da CIP, Armindo Monteiro; e do Presidente da AEMinho, Ricardo Costa.

 No debate participaram ainda Pedro Siza Vieira, ex-ministro da Economia; Cecília Meireles, advogada e política; Luís Braga da Cruz, ex-ministro da Economia; e Isabel Furtado, CEO da TMG. A moderação foi de Luís Ferreira Lopes, diretor executivo do jornal Sol / Portugal Amanhã.

 “Temos de convergir com a UE, sem nunca esquecer a coesão territorial e social”, começou por destacar o eurodeputado José Manuel Fernandes. “Não podemos ter medo do empreendedorismo, do investimento. É verdade que nunca tivemos tanto dinheiro dos fundos europeus como agora, mas é fundamental ter objetivos nacionais, mas também objetivos regionais. E não temos esses objetivos, porque gastar não é investir.” O deputado ao Parlamento Europeu continuou destacando que “O Portugal 2030 terá este ano zero de pagamentos! Já estamos em 2023. Tal significa que em 2024, haverá uma execução atabalhoada para não perdermos dinheiro. Executar à pressa é gastar, não é investir.”.

 “E não há estratégia, porquê? Os empresários foram ouvidos? Não! Os autarcas foram ouvidos? Não! Isto não é uma boa utilização dos fundos. O Governo não tem envolvido os empresários e demais beneficiários dos fundos na elaboração do PRR e do Portugal 2030, para termos projetos de qualidade. A palavra ‘envolvimento’ é essencial, porque se não envolvermos os agentes que realmente precisam dos fundos, na prática, o maior beneficiário passa a ser o Estado. Este dinheiro devia acrescentar e não substituir. Os fundos têm de ser mais-valias e não podem – nunca – servir para substituir o Orçamento de Estado, como infelizmente está a acontecer.” – continuou José Manuel Fernandes.

 “HÁ UM DESÍGNIO QUE DEVEMOS TER: O DE TER MELHORES SALÁRIOS”

O eurodeputado sublinhou que “no Minho, temos cinco concelhos no top 10 das exportações, apesar do centralismo; apesar do PRR não lhes dar os montantes que eles realmente precisam, nas áreas que realmente precisam; apesar de não se olhar para este território como se devia.” Deixou ainda uma última nota: “Há um desígnio que devemos ter: o de ter melhores salários, mas para isso era essencial termos um planeamento que trouxesse coesão, crescimento e competitividade”.

 Relativamente à Associação Empresarial do Minho, José Manuel Fernandes destacou a forte dinâmica da associação e deu os parabéns ao seu presidente, Ricardo Costa, pela sua forte dinâmica e competência na defesa do tecido empresarial regional.

 MINHO: 10% DO PIB NACIONAL E 12% DA BALANÇA COMERCIAL NACIONAL

A celebração do aniversário da AEMinho marca uma data importante da história da associação, que se traduz num momento de reflexão sobre o percurso traçado, sobre a relevância das atividades desenvolvidas e sobre as intervenções no espaço público.

O Minho tem tido, desde a fundação de Portugal, um papel fundamental na vida do país, desde logo por ter sido aqui a sua fundação, mas também pelo desenvolvimento económico que sempre teve, e que ainda hoje se reflete, contribuindo para 10% do PIB nacional e 12% da balança comercial nacional.

No entanto, a região do Minho enfrenta ainda desafios, como a necessidade de melhorar a rede de infraestruturas, a mobilidade, a difusão do conhecimento e da inovação no território e o melhoramento das condições socioeconómicas.

Este debate sobre “O Minho no Portugal de Amanhã” visou reafirmar o papel da região, debatendo, de forma séria e estruturada, modelos de desenvolvimento económico e de gestão administrativa. O modelo centralista está, obviamente, esgotado e torna-se urgente uma reforma na administração pública.  A AEMinho pretendeu com este debate trazer à luz modelos de possível aplicação, não só no Minho, mas em todo o país.

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