Eurodeputado José Manuel Fernandes desafia ao exercício de cidadaniana defesa dos valores e da dignidade humana

O Eurodeputado José Manuel Fernandes deixou hoje um desafio à sociedade civil para assumir o exercício de cidadania na defesa dos valores e da dignidade humana, num espírito de desenvolvimento que alie a solidariedade à responsabilidade.

Intervindo no Centro Social, Cultural e Recreativo Padre Abel Varzim, em Cristelo – Barcelos, José Manuel Fernandes apontou o trabalho das IPSS como um exemplo das vantagens e das potencialidades da economia social para a coesão social e territorial.

“Além de ser um setor fundamental para a criação de emprego e riqueza sobretudo em zonas geográficas mais desfavorecidas, indo bem mais além da monitorização de apoios para colmatar situações de pobreza ou exclusão, as IPSS comprovam que é a economia que deve estar ao serviço das pessoas, e não as pessoas ao serviço da economia”, sustentou.

O eurodeputado assinalou a abertura do seminário “Cidadania: De Mãos dadas Construímos o Futuro”, integrado num projeto educativo que o Centro Social P.e Abel Varzim vai desenvolver até 2017.

A figura do Padre Abel Varzim esteve em destaque, nomeadamente pelo testemunho de vida e das posições assumidas em defesa do trabalho em parceria e da partilha, como estratégia não só para ajudar os mais necessitados, mas também para um crescimento mais justo e sustentável. Nesse contexto – conforme destacou José Manuel Fernandes –, o sacerdote que foi um opositor do regime salazarista assumiu-se como um fervoroso adepto dos esforços de conciliação e união dos países europeus que antecederam a concretização do nascimento da União Europeia.

Prioridade social

O Eurodeputado – que foi eleito coordenador do PPE na Comissão dos Orçamentos – salientou que os recursos e financiamentos comunitários disponibilizados para 2014-2020 mostram bem a atenção dada na União Europeia e em Portugal à área social e à inclusão, assim como a sua importância na estratégia de crescimento económico e emprego, para os próximos anos. Dos mais de 21 mil milhões de euros que Portugal receberá da União Europeia, 35 por cento vão para projetos sociais.

Mas alertou que a concretização dos direitos de liberdade, democracia e solidariedade, não podem ser dissociados do conceito de responsabilidade que é necessária de cada pessoa e instituição, ou mesmo a cada país ou governo.

“Uma má gestão hoje, seja na família, num município, empresa, instituição ou país, significa que estamos a prejudicar o futuro e que não estamos a ser solidários com os outros”, exemplificou José Manuel Fernandes, acrescentando que isso respeita não só à dimensão financeira e económica, mas também ambiental.

Perante os grandes desafios que se colocam hoje a Portugal e à Europa, o Eurodeputado reforçou a confiança numa estratégia de desenvolvimento que valorize as pessoas e as suas competências, destacando a importância da economia social para um crescimento que, além de mais inclusivo, seja também mais inteligente e sustentável, pondo igualmente a inovação e a economia a responder às necessidades das pessoas e expectativas de melhor qualidade de vida.

A economia social é um setor que tem merecido uma atenção cada vez acutilante da União Europeia, pelo especial contributo para a concretização da Estratégia Europa 2020. Representa na União Europeia cerca de 14,5 milhões de empregos diretos, abrangendo 6,5% da população ativa da UE. Tem mais de 2 milhões de PME's, que se caraterizam pela heterogeneidade e diversidade de serviços e grande disseminação territorial.

Humanismo e proximidade

Numa visita às valências do Centro Social, Cultural e Recreativo Padre Abel Varzim, José Manuel Fernandes salientou a capacidade da instituição de aliar a qualidade técnica dos equipamentos e do pessoal à forte dimensão humanista na prestação dos cuidados de assistência. “É algo que só se consegue concretizar e perceber no terreno, através da proximidade”, referiu o eurodeputado, salientando o trabalho feito no Centro de Acolhimento Temporário que acolhe 14 crianças e adolescentes com experiências de vida mais problemáticas.

A missão social da instituição, numa zona geográfica reconhecidamente desfavorecida em termos sociais, estende-se ainda aos serviços de creche, jardim-de-infância e ATL com 172 crianças, Centro de Dia com 20 utentes e Serviço de Apoio Domiciliário a 25 idosos, a par do Banco Alimentar e do acompanhamento de uma centena de famílias com dificuldades económicas.