Antes que seja tarde

26 de Novembro, 2015

A União Europeia tem vivido uma sucessão e, por vezes, sobreposição de crises. Depois da crise das dívidas soberanas, seguiu-se a anexação da Crimeia por parte da Rússia, a crise dos refugiados e agora o terrorismo.

Todas estas crises e os seus impactos demonstram que um Estado-Membro não consegue, por si só, resolver e superar este tipo de fenómenos.

Todas comprovam também que a União Europeia continua a reagir, a actuar no último segundo e mais por medo do que por convicção!

Mas devíamos agir e actuar em conformidade com os nossos valores e a nossa matriz cristã.

Há um outro elemento comum a estas crises: os Estados-Membros começam por desvalorizar, depois assumem compromissos que de seguida, logo que a convulsão abranda, não cumprem. Arrependem-se para não desagradar a opiniões públicas, onde os extremos crescem. Na UE, as opiniões públicas têm-se radicalizado à esquerda e à direita.

São fraquezas que se tornam mais evidentes e de risco maior perante o fenómeno do terrorismo, que - tal como os seus protagonistas e actores - é repugnante e cobarde.

Os terroristas matam por matar, destroem por destruir, não respeitam nada nem ninguém na sua sanha assassina que apenas visa instaurar o medo, reinar o terror e atacar as sociedades em que vigoram valores e princípios bem diferentes daqueles que eles perfilham.

Na definição dos alvos, têm como único critério as pessoas comuns o mais indefesas possível.

Importa-lhes é conseguirem a máxima destruição e o maior número de mortos e feridos para que os seus inusitados objectivos sejam alcançados.

Tanto lhes serve colocarem bombas em aviões como dispararem a matar sobre espectadores de um concerto, fazerem explodir bombistas suicidas ou atirarem aviões contra arranha-céus.

Não respeitam a dignidade humana, a começar pela deles próprios quando se transformam em bombas ambulantes, não respeitam nada nem ninguém face ao fanatismo destruidor que os conduz para as suas acções. Procuram incutir o medo e tirar partido dele.

Os ataques terroristas têm-se intensificado.

No passado dia 13 de Novembro, a cidade de Paris viveu uma brutal manifestação de terrorismo. Mais de uma centena de mortos, centenas de feridos, o mundo chocado e estupefacto perante aquilo a que assistia em diversos pontos da capital francesa. Sentimos a exterminação da alegria de vida e os sonhos destruídos de cada vítima.

Um ataque que veio juntar-se ao horror da bomba no avião russo dias antes, aos massacres na Nigéria e no Mali perpetrados por terroristas afectos ao auto-denominado Estado Islâmico, a um recrudescer do terrorismo em vários pontos do globo onde essa organização terrorista tem células.

Infelizmente, teremos mais ataques como o de Paris.

A União Europeia, a nossa civilização e os nossos valores são um alvo demasiado apetecível para que este grupo terrorista desista de nos tornar no seu principal alvo e de fazer no nosso espaço atentados tão violentos quanto lhes seja possível.

Nesta Europa que foi capaz de se unir na sua imensa diversidade e onde os valores humanistas e sociais são uma referência global, temos de saber agir, com firmeza e de forma coordenada.

Temos de ter a coragem e a determinação política de atacarmos o problema na sua origem. É que não basta o reforço do controle nas fronteiras externas da UE, o combate ao tráfico de armas, o reforço da cooperação policial dentro da UE.

A solução não é a realização de mais muros, mais fronteiras e mais nacionalismo.

O orgulhosamente sós, o ‘cada um por si’, não funciona.

A solução, a urgência, é a concretização de uma acção conjunta e que implique a União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia e os países vizinhos da zona onde o Estado Islâmico está implantado. O problema tem de se resolver na origem e com coordenação. Considero que, para se eliminar o auto-proclamado Estado Islâmico, não podemos excluir uma acção militar terrestre, mas acompanhada de uma solução de paz para aquele território.

As tropas no terreno avançariam no âmbito de uma grande coligação internacional, com o envolvimento da União Europeia, Estados Unidos, Rússia e da China, sob a desejável égide da ONU e num esforço concertado para erradicar o terrorismo.

Mas resolver o problema na origem e combater o terrorismo significa, em simultâneo, financiar os campos de refugiados, como por exemplo os que existem na Jordânia e no Líbano. Temos de melhorar as condições de vida dos refugiados que lá vivem e apostar fortemente na educação da sua população maioritariamente jovem.

A União Europeia tem aliás reforçado o apoio aos campos de refugiados e à ajuda humanitária, como prova o orçamento para 2016 que acabamos de aprovar.

A UE que já era o maior doador mundial e vai, com o orçamento do próximo ano, reforçar o seu apoio à cooperação e ao desenvolvimento.

É este o caminho.

A par da inevitável operação militar, temos de apostar na educação, na cooperação e no desenvolvimento como armas fundamentais para a eliminação do terrorismo.

A demagogia, o populismo, os nacionalismos, os extremismos conduziram sempre à guerra. Todos juntos, unidos na diversidade, no respeito pela diferença, na defesa intransigente da liberdade e da dignidade humana, construímos uma sociedade mais forte e solidária onde todos tenham lugar e onde cada um tem o seu espaço para a concretização dos seus sonhos.

Não há tempo a perder. Temos de começar já ganhar a batalha.

Antes que seja tarde.