Eurodeputado José Manuel Fernandes considera que os rendimentos dos agricultores têm de ser melhorados

Em sessão de lançamento de vídeo promocional da carne bovina de raça minhota, em Ponte de Lima, Eurodeputado apontou estratégia para futuro das políticas e dos fundos europeus

O Eurodeputado José Manuel Fernandes defendeu hoje, em Ponte de Lima, uma aposta estratégica na agricultura sustentável, amiga do ambiente, capaz de potenciar uma produção de qualidade e valorizar os produtos autóctones. Em seu entender, essa é a estratégia que vai ao encontro das políticas europeias e das prioridades dos fundos comunitários para o futuro.

No lançamento de uma campanha promocional da carne bovina da raça minhota, José Manuel Fernandes sublinhou que "os rendimentos dos agricultores têm de ser melhorados", até porque se trata de uma "atividade fundamental para a coesão social e territorial", mas também para vencer os desafios que enfrentamos à escala global.

"Atualmente, somos mais de 7 milhões de pessoas no mundo, mas em 2050 vamos ser 9 milhões, com mais de 50% da população a viver nas cidades, o que implicará a necessidade de um aumento em 70% da produção alimentar. Temos de assumir uma estratégia para a agricultura que garanta valor acrescentado aos nossos produtos agro-alimentares", alertou o Eurodeputado.

José Manuel Fernandes fez questão de "prestar uma homenagem aos agricultores, e em especial aos pequenos agricultores, porque enfrentam dificuldades ainda maiores, incluindo obstáculos agravados ao nível da rentabilidade", como acontece no Minho.

Nesse sentido, José Manuel Fernandes sublinhou o trabalho da APACRA na promoção e na valorização da carne dos bovinos de raça minhota, enquanto "processo determinante para que os agricultores consigam produzir mais alimentos numa base de rentabilidade económica e, simultaneamente, protegendo a natureza e salvaguardando a biodiversidade".

"É importante para Portugal que os agricultores, e de forma especial os criadores de animais, assegurem uma boa utilização e a rentabilização dos fundos comunitários na valorização e certificação dos produtos agroalimentares de qualidade e autóctones", recomendou o Eurodeputado, na sessão organizada pela APACRA - Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos de Raça Minhota.

Agricultura mais sustentável e amiga do ambiente

Nomeado para integrar o grupo restrito do Parlamento Europeu que vai negociar o Quadro Financeiro Plurianual pós-2020, José Manuel Fernandes avançou que "o combate às alterações climáticas e a promoção de uma agricultura mais sustentável e amiga do ambiente" são prioridades a reforçar nas políticas e nos fundos europeus.

Numa fase em que ainda não estão fechados os montantes do futuro quadro orçamental, o Eurodeputado do PSD garantiu que a Política Agrícola Comum vai ainda intensificar o esforço para "repartir as ajudas diretas de forma mais justa, apoiando agricultores ativos e nas regiões mais desfavorecidas".

Segundo números apresentados por José Manuel Fernandes, Portugal tem acesso a mais de 3,3 milhões de euros por dia só para a agricultura, no âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual, para o período 2014-2020. No total dos sete anos, a preços de 2014, Portugal recebe cerca de 8,5 mil milhões de euros, que correspondem a 4,5 mil milhões de euros em ajudas diretas aos agricultores e 4 mil milhões de euros através do FEADER - Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural.

Sendo Portugal o país da UE com maior taxa de agricultores com mais de 65 anos, José Manuel Fernandes enalteceu o facto da sessão ter decorrido na Escola Secundária de Ponte de Lima, perante dezenas de jovens, que importa mobilizar face aos desafios que a sociedade e o Planeta enfrentam.

Na sessão de lançamento promocional do vídeo de promoção da carne de raça minhota - e que antecedeu a abertura do III Festival da Carne de Raça Minhota, que decorre este fim de semana em ponte de Lima -, foram igualmente desenvolvidas temáticas sobre a “valorização dos produtos da ruralidade em Portugal” e “o papel dos municípios na defesa e valorização do espaço rural”, a par de exemplos de sucesso de agricultores da região minhota